quarta-feira, 31 de dezembro de 2008


... encostada na mesa com sua cabeça baixa. Dormindo... talvez sonhando. O que seus calmos olhos fechados poderiam desvelar? O que passa pelo seu imaginário fantástico? Sonha com heróis? Ou será que sonha com vilões? Nada poderíamos descobrir, sua face plácida apenas permanece ali, ali mesmo, como se nada estivesse acontecendo. Será que amores terríveis consomem seu coração? Ou será que agora dorme calmamente enquanto outro sofre pela sua ausência? Nada. Permanece impávida e imóvel, apenas o leve balançar de seu sopro leve. Ficará lá para sempre? Ou poderíamos tentar acorda-la com o beijo do príncipe? Mas... onde encontraremos príncipes encantados hoje em dia... hoje em dia é impossível encontrar qualquer coisa, embora vendam tudo, coisas baratas e caras, em sua maioria inúteis e extravagantes... mas não, não conseguimos achar príncipe algum. Na verdade, essas coisas antigas são impossíveis de encontrar, apenas aqueles projetadas para o futuro, para os anos vindouros. Mas vejam! esqueçam tudo, não é preciso mais nada, nem príncipes enm sapos, ela acordou.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

quinta-feira, 19 de junho de 2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

crônicas vazias

Samuel não entendia porque tinha que se submeter a tais humilhações. Não fora sempre um funcionário exemplar? Não estava sempre ali quando o rígido relógio do ponto apontava carrancudo a hora certa de servir aos outros e ser explorado como um autômato? Contudo, mesmo assim, mesmo todos sabendo da sua delicada situação, até mesmo os burocratas dos mais altos escalões do setor, seu superior, o respeitável Sr. Lamartan, sempre se fazia de desentendido, ou até mesmo, quem saberia, de fato ignorasse a triste situação do pobre Samuel. Samuel, homem distinto e de valor, tinha que semestralmente viajar para a afastada Carolina do morro, levar comida e dinheiro para sua mãe, que agora permanece sob constante observação médica, pois enlouquecera subitamente e acaba sempre por atirar suas próprias fezes nos passantes, se nenhum médico ou enfermeiro estiver lá para evitar esta curiosa e degradante cena pitoresca. Samuel toda vez tinha que expor detalhada e pormenorizadamente sua triste situação, com os mais sórdidos e humilhantes detalhes explicados com a clareza dos sofistas para o rigoroso e pesado Sr Lamartan liberar sua licença de ausência. "Aqui está, Samuel, mas saiba que lhe faço um grande favor...". E então, com seus olhos embotados e sonolentos, insinua com um aceno garboso e petulante a liberação do infortunado funcionário.

Arrasado, um fantasma que se esconde até mesmo dos olhos de Deus, Samuel se retira da sala do importante Sr. Lamartan e cruza o escritório, dirigindo-se como um morto-vivo para a porta que leva para fora do insípido e viciado recinto. Gracejos e rizadinhas malvadas até poderiam ser ouvidas por Samuel, se sua mente ou sentidos estivessem voltados para alguma coisa senão a profunda e dilacerante frustração que assola seu espírito. Ao ver esta cena, duas vezes por ano, agradeço a algum deus qualquer, que me defende dos infortúnios mais negros da existência.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008